Montar um PC para criar jogos é um processo de escolhas graduais, não uma compra isolada. Projetos na Unreal Engine, edição de vídeo, imagens e ferramentas 3D costumam ficar abertos ao mesmo tempo, e isso muda a prioridade das peças. Uma base compatível e expansível permite atualizar o computador conforme as demandas do trabalho aumentam.
O ponto de partida é observar o uso real da máquina. Em um ambiente com Unreal Engine, Photoshop, gravação e outros programas ativos, a memória RAM pode subir rapidamente. Compilação de shaders, light building e operações pesadas dentro de um mapa também criam picos de consumo. Por isso, a capacidade não deve ser definida apenas pelo uso em repouso, mas pelos momentos em que várias tarefas acontecem juntas.

Memória RAM para projetos mais pesados
O setup apresentado reúne 84 GB de RAM a partir de um kit de 64 GB e módulos já existentes. A configuração serve como exemplo de uma máquina que precisa manter múltiplas aplicações abertas e ainda lidar com cargas pontuais de desenvolvimento. Mais memória reduz o risco de travamentos quando o fluxo de trabalho reúne editor, assets, renderização e captura.
Uma alternativa mais organizada é começar com módulos de maior capacidade, como dois pentes de 32 GB, e preservar slots para futuras expansões. A placa-mãe ASUS TUF Gaming A520M-Plus II citada no projeto oferece quatro slots de memória, o que amplia essa margem. Frequência e compatibilidade também entram na decisão: os módulos Kingston Fury Beast operam a 3.200 MHz, enquanto a escolha da placa deve considerar suporte oficial ao processador e a versão necessária de BIOS.
Compatibilidade não se resume ao soquete. A lista de CPUs suportadas pelo fabricante e as exigências de atualização de BIOS precisam ser conferidas antes da montagem. Esse cuidado evita um cenário em que processador e placa-mãe encaixam fisicamente, mas o sistema não inicia sem uma atualização que pode exigir equipamento adicional.
Espaço e refrigeração sustentam o ritmo

Armazenamento rápido é outro ponto decisivo para quem mantém projetos, aulas, jogos e bibliotecas de assets na mesma máquina. Um SSD M.2 de 2 TB foi reservado para os projetos principais da Unreal Engine, enquanto outros arquivos podem ficar em SSDs externos. O formato M.2 se conecta diretamente à placa-mãe e oferece leitura mais rápida; com um case portátil e USB adequado, ele também facilita transportar projetos entre computador e notebook.
Projetos de jogos e títulos atuais ocupam espaço rapidamente, por isso o armazenamento precisa acompanhar o crescimento do acervo. Unidades de 1 TB ou 2 TB ajudam a reduzir trocas constantes de arquivos, e SSDs externos mantêm materiais acessíveis fora da estação principal. A escolha do gabinete Full Tower também contribui: o modelo Gamemax Infinit M908-TR oferece espaço para componentes, unidades e watercoolers maiores.
O resfriamento passa a importar mais quando processador e placa de vídeo trabalham durante longas sessões. O water cooler Rise Mode Aura Frost Pro de 240 mm foi usado para estabilizar a temperatura do processador e manter ruído baixo. A intenção não é acumular componentes sem critério, mas dar folga térmica e física à máquina para que ela mantenha desempenho de forma consistente.
Um upgrade planejado custa menos retrabalho

O conjunto inclui Ryzen 9 5900X, RTX 3070 MSI Ventus, 64 GB de Kingston Fury Beast, placa-mãe A520M-Plus II e SSD M.2 de 2 TB, além de peças reaproveitadas. O investimento foi construído ao longo do tempo, começando por uma plataforma capaz de aceitar novos componentes. Essa estratégia distribui o custo e evita trocar toda a máquina a cada necessidade.
Para criação de jogos, a prioridade prática é equilibrar memória, armazenamento, compatibilidade e refrigeração antes de pensar apenas em aparência. Um gabinete com espaço, uma placa-mãe preparada para upgrades e unidades rápidas formam uma base que acompanha projetos maiores. O computador também pode atender jogos e outras tarefas, mas a configuração precisa refletir o tipo de produção que ele sustenta todos os dias.
Fonte: Neriverso
