Call of Duty: Modern Warfare 3 impressiona logo de cara pelo visual. Cenários detalhados, animações de ponta e uma otimização sólida mostram o que um estúdio AAA consegue entregar com investimentos acima de 100 milhões de dólares. Por trás desse acabamento, porém, está um jogo que reaproveita quase tudo o que a franquia já tinha e que deixa claro onde está a prioridade da Activision: o multiplayer.
Gráficos de ponta e muito detalhe
A fase na neve é uma das mais marcantes, com grande quantidade de detalhes no terreno, na iluminação e no clima. Uma fase de sniper também se destaca. Portas, texturas e movimentação recebem um cuidado que só equipes gigantes e orçamentos milionários permitem, e isso ajuda a explicar a distância que muitos jogadores sentem entre um título AAA e um jogo independente.

Esse resultado também envolve muito trabalho humano. A indústria de games convive com o crunch, com equipes que ficam além do horário para cumprir o lançamento, e esse esforço merece reconhecimento mesmo quando as decisões da empresa são discutíveis.
Uma campanha montada com peças antigas
O problema aparece quando o visual sai do centro. O jogo não traz nenhuma mecânica nova. A estrutura foi montada a partir do que o estúdio construiu ao longo dos anos no multiplayer e nas campanhas anteriores, e até personagens e história são reaproveitados. Há relatos de que o desenvolvimento levou cerca de 16 meses, o que combina com o tamanho e o conteúdo do jogo.
A campanha tem algo em torno de cinco horas, e a duração curta não é o problema principal. O incômodo está no final abrupto, com a sensação de que a narrativa foi cortada na metade. Ao longo das missões, o reaproveitamento fica evidente, inclusive em trechos de spawn de inimigos que se repetem.

O feijão com arroz de Call of Duty continua bem feito e divertido. Ainda assim, jogos focados em narrativa, como Alan Wake 2 e The Last of Us Part II, mostram que é possível inventar e ousar. Falta à série uma história que mexa com o jogador e que pegue uma trama realmente atual, em vez de mais uma campanha curta construída sobre o que já existia.
Multiplayer primeiro, por uma razão financeira
O multiplayer recebeu modos diferentes, está dinâmico e funciona bem. Fica nítido que o investimento maior foi para o modo online, e a lógica é financeira: o multiplayer cria um ciclo de engajamento social, com jogadores que compram o jogo base e continuam comprando itens depois. Uma campanha, ao contrário, gera receita praticamente só na venda.
O modo zumbi seguiu o mesmo caminho e virou uma experiência massiva de multiplayer. Quem gostava da proposta antiga, com amigos, portas para desbloquear e armas compradas aos poucos, pode estranhar. Para os nostálgicos, a mudança afasta. Para quem gosta do formato atual, o modo deve agradar.
Bonito hoje, sem fôlego para o futuro
A otimização é fruto do trabalho contínuo com o multiplayer, que exige rodar bem no maior número possível de máquinas. Com uma RTX 3070, o jogo roda praticamente no máximo em 2K. O outro lado é que faltam recursos gráficos avançados para placas futuras: quem comprar uma GPU nova no próximo ano verá o mesmo visual, sem ajustes extras que façam o jogo envelhecer melhor.
Dublagem e DualSense como pontos fortes
A dublagem em português é um dos maiores acertos. Ter um jogo na língua nativa amplia o acesso à história e facilita a imersão, mesmo para quem entende bem inglês. O trabalho foi bem feito, com mixagem de áudio excelente, e alcança também o multiplayer, inclusive nas instruções durante as partidas.

No PC, o DualSense eleva a experiência. Não há grandes adaptações de gatilhos travados, mas a sensibilidade dos motores e o peso dos impactos de tiro mudam a sensação em comparação com o controle de Xbox, com vibrações diferentes em vários momentos.
Excelência no básico, pouca inovação
Modern Warfare 3 é tecnicamente muito bom e entrega o básico com uma qualidade absurda. O preço de lançamento de cerca de 300 reais, porém, pesa diante de uma campanha curta, de cenários reaproveitados de Warzone e da ausência de novidades. A escolha pelo lucro do modo online é compreensível, mas a franquia que já marcou pela narrativa hoje é, antes de tudo, um jogo multiplayer.
Fonte: Neriverso
