Pesquisadores da University of California, Santa Barbara, e da UCLA desenvolveram uma molécula inspirada em reações que ocorrem no DNA capaz de captar luz solar e liberar calor meses depois, segundo um artigo publicado na revista Science liderado pelo químico Han P. Nguyen.
A proposta parte do mesmo tipo de transformação que o excesso de luz ultravioleta causa no DNA: bases adjacentes podem se ligar formando uma lesão (6-4) que, exposta a mais UV, torce em uma forma conhecida como isômero Dewar. Os autores trataram esse isômero como uma espécie de bateria molecular: quando a molécula retorna à sua forma estável, a reação libera calor.
O trabalho busca superar problemas antigos do chamado armazenamento térmico molecular (MOST), como baixa densidade energética, degradação rápida e solventes tóxicos. Os pesquisadores apontam que moléculas podem, em princípio, armazenar energia em ligações químicas com densidades muito maiores do que baterias elétricas: o texto menciona que o óleo combustível tem densidade energética de cerca de 40 Megajoules por quilo, enquanto baterias de íon-lítio costumam ter menos de 1 MJ/kg.
Os autores também descrevem um sistema que funciona de forma análoga a aquecedores solares de água, mas com armazenamento químico de calor, capaz de reter energia por dias, semanas ou meses e liberá-la sob demanda quando a molécula retorna à sua configuração inicial.
Fontes: Ars Technica
